Wednesday, 4 December 2013

'Jaime e o Sábio Chinês' by DANIEL ESCUDERO






JAIME E O SÁBIO CHINÊS - pintura acrílica sobre tela, ~30 x ~40 cm, 1988, coleção particular. Por ora este é o primeiro antecedente do tema. O referido sábio chinês é Lao Zi, conforme uma gravura antiga. A obra foi pintada em Guarulhos-SP, no ateliê de Jaime Ponciano que tinha em sua sala um auto-retrato da série das Máscaras Brancas, do qual sempre gostei. Portanto, esse quadro pode ser considerado um plágio duplo, uma vez que as figuras não são minhas. Mas não creio que isso lhe importe à proprietária, que, aliás, é uma grande amiga e admiradora do legado deixado por Jaime. 


Hi, Jaime

Saí de Assunção com calor, cheguei em Curitiba ao clarear do dia e com muito frio, é claro! Agora são 11:30 do domingo 24 de Novembro de 2013; deixei a Dag e a galera jovem domingo; a casa está vazia e silenciosa, como a última noite que passei na capital paraguaya. E já estou trabalhando.

A primeira mensagem do FB que abri, deu o sinal verde para a próxima exposição individual em Asunción del Paraguay. O tema já me veio, através de 'O Muro Transparente' - e de sua variante 'A Palavra Pintada' - e é: 'O Tao Te King' de Lao Zi - by Escudero, naturalmente. 

A obra referida é um livrinho composto por 81 pequenos poemas, cheios da inefável poética (*) que só um sentido profundo e fujão lhe pode dar. 

(*) A aparente redundância entre poesia e poética é válida, pois usei a palavra poética no sentido que usamos os artistas visuais, e não necessariamente no sentido da literatura. Na fotografia o primeiro antecedente do tema, e vejam, eu já usava velaturas! 

Daniel Escudero

Daniel Escudero 

Identidad y admiración 

18 September 2014

Que artistas admiras? Ese verbo.. Que se admira en un artista, su obra o la persona?

Si es la obra, la listaq es larga, desde la antigüedad hasta los tiempos actuales. Me 'identifico' con los que comparto semejanzas en la forma de trabajar, técnica y en la obra producida. Pero identidad no es admiración, no?

Si es la persona, solo tuve acceso a conocer y vivir una bella amistad con un único artista, ya fallecido y bien undergroun de San Pablo: Jaime Ponciano. Su forma de expresar el arte era muy rápida y espontánea, totalmente diferente de la mía. Ambos nos admirábamos mutuamente, o como decíamos, nutríamos una 'sana envidia'.

Admiro los grafiteros, a pesar de no comprender claramente, que los motiva, ni su objetivo. Veo mucho arte en las paredes urbanas.

Y me llama la atención que, al responder esta pregunta, me he dado cuenta de que, lo que uno admira en los otros, talvez sea un potencial latente en uno mismo, que por diversas razones no se manifiesta. Y si esto es verdad, hay mucho más a aprender con aquellos que admiramos, de que con aquellos con los cuales nos identificamos. 

(Una de las respuestas al Centro Cultural del Citibank de Asunción, hechas en una entrevista escrita). 

Monday, 26 August 2013

Drawings... 27 August 2013

Today, 27 August 2013, Jaime Ponciano would be 51 years old. Let's make believe Jaime is still with us but having a soujourn in Tahiti and with no way to communicate. 

I still have a few drawings Jaime left behind so this is a good occasion to post them here. Here's for Jaime's friends:


Jaime Ponciano aka Jaime da Silva 2000.


no date discernable.




'Elas disfarçam bem!' (They know how to disguise)





this is pre-2000 when Jaime still signed Jaime Silva.






self-portrait







1989


"This world was never meant for one as beautiful as you."

Eu, Luiz Amorim, faço minhas as palavras de Don Mc Lean em sua canção 'Vincent', que ele fez em homenagem à Van Gogh.

Letter to Tati - 23 July 1984 & to Daniel - 11 June 1987


A  PALAVRA  PINTADA 



Daniel Escudero wrote:  "Querida Tati - Assim começa uma carta, escrita em São Paulo, em 23 de julho de 1984, por Jaime Ponciano, artista plástico amigo, falecido em 2009. Essa carta é o caso típico de paixão à primeira vista. Desde que a vi, gostei tanto dela que Jaime me deu; gosto tanto dela que ainda está comigo. Por incrível que pareça demorei uns 10 anos para ler o conteúdo da carta. Há muito tempo não a "leio"; mas sempre que posso a "vejo". Gosto da caligrafia miúda e caprichada; da retidão das linhas no papel liso sem pauta e nas margens; da simetria geral. Estou certo que ele se espaireceu escrevendo um texto do tamanho certo, para poder preencher o espaço que ele queria preencher, usando-a como textura. Considero esta carta uma obra de arte, no sentido maior da palavra."

A letter written by Jaime in 11 June 1987, in Maceió-CE but never actually sent to its addressee: Daniel Escudero. 


São Paulo, 23 de julho de 1984.

querida Tati

Nada melhor que a claridade das duas horas para escrever, principalmente para você. Por que será que pensei e escrevi principalmente? Sei lá! Ontem eu já havia começado a escrever para você. Aqui está frio e me sinto um pintinho debaixo das asas quentes da galinha; até sem ter sido, mas lembro-me de quando eu era apenas um pintinho dengoso e amarelado, trocado por garrafa ou alumínio velho com homens que se interessavam em procurar todo esse tipo de material velho, que depois vendiam em depósitos de ferro-velho. Em troca nós, as pessoas que trocavam as bugigangas recebiam pintos amarelos. Pintos bem novos que a maioria morria com tamanha facilidade. Cada coisa que a pessoa trocava, como, por exemplo: duas garrafas = a um pinto. Agora, nem sempre era assim o sistema de troca. Havia pessoa que trocava uma forma-de-bolo já velha por dois pintos! Nossa como eu já fui pinto, meu senhor. Aqui está um tremendo frio. Eu lhe escrevo calmo como a caligrafia e o pensamento que fluem. O Luiz está ao meu lado e respira fundo e pinta rapidamente cada traço bem fino e equilibrado que ele pratica a cada minuto; eu tomo chá; eu paro para tomar um chá, porque eu inventei esse acontecimento! (Tomo o chá, já!) Mas esse grande acontecimento que achei, não foi tão grande, fora... Agora o chá esfriara.  
   
Segunda feira me bate uma coisa nova, nova começou que coisa? Uma sensação boa, e na medida que sinto a coisa, tento qualificar a sensação, mas sei o que é... deixa bem p'ra lá! Como foram de viagem? Pelo jeito você deve ter muitas coisas para contar-me, tem? Ilha Bela e Guarujá são dois belos lugares, não? 'Cê sabe que quando viajo para litoral eu tenho vontade de voltar logo? Com você também acontece isso? Ah, não? Lembra daquelas flores roxas e miúdas, que da última vez que você esteve aqui fazia pouco tempo que nós tínhamos comprado? Pois é, elas ainda permanecem no mesmo lugar. Estou com um buraco no estômago. Quer comer? Fique à vontade, irmã, que vou ajudar o Luiz na cozinha. Nem ajudei nada; e eu sei ajudar alguém na cozinha?

Esses dias, nem me lembro exatamente se um, dois ou três ou trinta; se o mês é julho, é? Agora olho, agora não olho. Para onde? Para o retrato de uma menina de vinte anos, de coque e brincos amarelos. Foto ou pintura? Pintura. Eu pintei; veio num impulso expressivo que no momento percebi, mas quando fui pintar, isto é, passar para tela, transformar o abstrato no concreto! tive, então, várias falhas técnicas que não adiantou nada, quase nada porque agora vale 100% e tem mais algumas coisas que quero quer você veja, "mais umas coisas" no retrato. Estou falando exclusivamente do retrato. Agora o Luiz está ao meu lado, e dessa vez com cigarro; vou atacar de Ivonão? Dá um trago, Lu. Traguei e molhei. Ha dois anos atrás quando estudávamos no Colégio Progresso, lembra-se? Pois é, essa tragada que dei no cigarro foi daquela época!

É tão horrivelzinho quando a gente se pega pensando no que fazer da vida; a gente, eu, principalmente eu. E quando me cansar de inventar acontecimentos? Daí me vou inteiro! As vezes sinto uma coisa tão macia por dentro e acho que nesse momento a vida deveria parar. O tempo deveria parar? Sim! Queria sempre ir numa casa de chá a tarde. Ela me convida, mais que convida ... Ela me serve café, leite, queijo, pão. Depois manda-me brincar com os outros moleques no campinho, que ela precisa costurar. As vezes me misturo no tempo e vou com ele. Outras vezes paro tudo por um tempo e volto. Tenho pintado mulheres. Ontem mesmo pintei uma de cabelão verde. Ela, na pose, parece essas sentindo-se seguras só porque seus cabelos são verdes. O vestido é verde-limão; ela me lembra uma girafa. A girafa é viva; eu amo a girafa.

beijos, Jaime Silva.


Para: Tati - Rua dos Ottonis, 119 Vila Clementino-04.025
Jaime Carlos da Silva - Rua Paim, 235 / 2112 - Bexiga-SP 01.306









Monday, 5 August 2013

4 anos sem Jaime - 6 Agosto 2013

Marilyn Monroe, aqui vista por Jaime Ponciano, morreu em 5 de Agosto de 1962, três semanas antes do Jaime nascer.
Jaime Ponciano, aqui em um auto-retrato, morreu em 6 de Agosto de 2009.
Carmen Miranda morreu em 5 de Agosto de 1955. Não me lembro de nenhuma representação que Jaime tenha feito da 'Pequena Notável'... então vai ai algo bem colorido em substituição.

Jaime Carlos da Silva aka Jaime Ponciano 
* 27 Agosto 1962
+ 6 Agosto 2009

Wednesday, 12 June 2013

Rubinho wears Paime Ponciano



Rubinho wears a T-shirt painted by Jaime Ponciano... São Paulo, Winter 2013.


Rubinho wears another original T-shirt by Jaime Ponciano.

Thursday, 15 November 2012

Jaime seen through his friends eyes & words




CALIGRAFIA MIÚDA e DOIS BONECOS - Fotoprojeto para pintura acrílica, com base na obra de Jaime Ponciano 90 x 150 cm - Daniel Escudero, 29 August 2011. 


Jaime Ponciano, pintor brasileiro, faria hoje 49 anos... Saudade e tristeza!!! Alegria de tê-lo em telas na minha casa... Alberto Guerreiro, 27 August 2011.


Tuesday, 9 October 2012

At Jaime's former place in 2010

Jaime in back of his clip-board studio built next to his brick house. Photo taken by myself.
Local bus running through Cuiabá-de-Cima to Nazaré Paulista-SP. Photo taken by Jaime Ponciano. 
Stranded in Cuiabá-de-Cima

In May 2010, nine months after Jaime Ponciano died, I went to visit his sister Roseli (Tatchi) who lives in Vicente Nunes a section of Nazaré Paulista-SP. 

Visiting Jaime in Nazaré had always been a major operation due to the many different bus connections I had to take before I reached his lovely little house on the top of a hill called Cuiabá-de-Cima. Every time I went to Nazaré I had to wake up at 4:00 AM to get the 4:30 bus from Rio Pequeno to town. Then I changed bus and went to Armênia Station where I would get me a van or bus to Guarulhos. I had to get to the centre of Guarulhos 6:30 and wait for the Nazare bus at 6:50. The trip to Nazaré Paulista usually takes 1:15 hours. From Nazare I had to walk 10 kilometres to get to Cuiabá-de-Cima where Jaime's father had a property and Jaime a small house he built during the 1990s.  I usually arrived at Jaime's place around 10:30. So, it took me 6 hours to get to Jaime's place from the moment I left home at 4:30 AM until I got to his place at 10:30.

This Saturday I arrived at Tatchi's at 9:00 - one and a half earlier as one does not have to walk 10 km. She was still in bed but got up and made coffee. I had brought a loaf of Italian bread and we had a nice breaky. We talked for a while. Mr. João da Silva, Jaime's father came to get his car that had stayed at Tatchi's front yard overnight. I asked him for a lift up to Cuiabá-de-Cima because I wanted to check Jaime scrap books and stuff he left behind. I knew I had a lift up but didn't know how I would get me a lift back to town.

1st May 2010 - Saturday

I am at Jaime's parents' house and I'm about to go to sleep at one of the family's bedrooms.

I spent almost the whole day talking with Nenê, Jaime's brother. He turned out to be such a lovely guy. I thought he would be mean about Jaime's stuff like scrap books, letters and drawings but I was wrong. I was the one feeling mean and materialistic in my quest to get at Jaime's sketches, scrawlings and note books. Those were important to me as if it were a part of him he had left behind.  Nenê even helped me arrange the stuff to be brought home with me. 

Then I turned the light off and went to sleep. It felt strange to be sleeping in that place knowing Jaime was not there. That was the first time I went to visit his place after his death in August 2009. I felt like I was an 'intruder'. I had no business to be there at all. But I wanted to get hold of his stuff before it would be too late. 

2nd May 2010 - Sunday

When I planned to visit Jaime's parents' house I didn't know I would end up spending nearly  3 days here. I hate staying away from home for more than one night and here I was, stuck in Nazaré Paulista for 2 whole days.

When Jaime was alive I would go to Nazaré to spend the day with him arriving around 10 AM, staying the whole day talking our heads off; sleeping over; waking up around 4:00 AM; walk all the way from the rural property to town to get the bus back to Guarulhos around 7:00 AM. 

Now, I knew I could not walk the 10 km to town for I was loaded with Jaime's stuff I had collected with his brother. So I had to rely on anyone's good grace to give me a lift to Nazaré. 

I woke up early on the Sunday. Nenê was going down the lake to fish so I went along with him. It's funny to realize I had visited Jaime so many times and we never had the chance to go down to the water. We usually had so much to talk about we couldn't be bothered to take the time to go all the way down to the water. 

I didn't stay long at the lake but went back up to the main house to see if I could get a lift to town. Renata, Jaime's sister, Repilica (Susana) and Bebéia (Rafaela) had stayed overnight at Dona Lina's house and were waiting for Sergio - Jaime's brother-in-law - to come and take them to town where they live. Susana went to Congregation Church for the youth meeting at 10:00 AM so I figured Sergio would come at 12:00 o'clock and take us all to town. 

Sergio who is an expert in electrical instalation was wiring up a house in the neighbourhood and showed up at 12 to have lunch with his family. He said he had to go back to finish his job but would be back in no time and then he would give me a lift to town before 4:00 PM for me to get the Guarulhos bus at 5:00 PM.
  
Night was falling and Sergio would not show. I was really disheartened doing nothing but waiting for Godot. I really hate to be stuck in a place with no way to get out and that's how I was feeling. I was praying he'd get me to the bus station on time but when he showed up with his VW beetle it was already dark. There was no way I would ever get any bus now. So I had to conform and pray I would while away the hours with self composure.

We went to Sergio & Renata's house in town, had tead and they made my bed on the floor for the night. That was my second night away from home. I was mortified but had to put up with and shut up! I missed Jaime so much. If he were alive I would have never been in such dire straits. I woke up at 3:00 AM and would not go back to sleep afraid of missing the bus to Guarulhos. Sergio woke up at 4:00 and heated up the coffee. I went out at 4:15 and waited for 20 minutes at the bus stop. 

3rd May 2010 - Monday

It is strange riding on a rural bus at 4:00 AM. Most of the people know each other by name and their small talk is very peculiar. Most of them fall asleep as soon as they hit their seat. Others keep a droning conversation that is mostly irritating. 

We arrived at Santa Terezinha (Fortaleza district) where I alighted and I took a bus to São Paulo Armênia Station. At 6:10 I was still stuck in traffic on the busy Monday morning next to  Center Norte Shopping Center. Oh, what a feeling!

Sketch of a male nude in black crayon, Egon Schiele, 1918. 
Jaime at his kitchen sink... photographed by myself.
Jaime's bed room.
Capela de São Lázaro à beira da Represa...